Olá !
Vou iniciar este blog tentando explicar um pouco os motivos que me levaram a me aventurar nessa mídia e os princípios que pretendo adotar nesse espaço.
Bem, esse blog objetiva simplesmente colocar aqui alguns pensamentos que julgo interessantes e que gostaria de compartilhar e colocar sob o crivo do julgamento alheio. De forma ampla, política é precisamente o que pretendo fazer aqui. Mas como afirmar que farei política é vazio de significado, tendo em vista que não acredito que possa haver conduta não política, o que farei, ou tentarei fazer, é precisamente travar discussões sobre políticas de verdades.

Não falarei aqui de um único assunto, a intenção é comentar pensamentos que tenho no cotidiano, provenientes das minhas leituras, de notícias sobre as quais eu tenha alguma opinião, sobre fatos que eventualmente não sejam objeto de cobertura da mídia, em fim, creio ter deixado claro que não tenho um assunto pré-definido, e que lidarei com esse espaço abusando do seu maior potencial, a liberdade.
Orientar-me-ei aqui por dois princípios básicos. O primeiro é um imperativo categórico: a negativa absoluta da neutralidade. “Todo conhecimento, seja ele científico ou ideológico, só pode existir a partir de condições políticas que são as condições para que se formem tanto o sujeito quanto os domínios de saber.” [1] Dessa maneira, é preciso reconhecer que esse blog também estará “maculado” com as limitações históricas desse autor, que é incapaz de ser neutro e se recusa a tentar se “travestir” com essa pretensão.
O meu segundo princípio já foi mais ou menos enunciado. Trata-se da um princípio de método. Quero aqui por tudo em questionamento. Não busco o ponto de apoio de Arquimedes, quero essencialmente desestabilizar, dissolver, desfazer, desmontar o que se entende por verdade e tratar a verdade como produto de um solo histórico e que é constituída e limitada por esse episteme.
Já peço desculpas de antemão por que sei que não conseguirei cumprir isso que estou me propondo e já sei que diversas vezes simplesmente esboçarei aqui alguma opinião mal formulada. Acredito que mesmo nesses momentos de “falha” o blog terá sua “utilidade”: abrir a discussão sobre esses raciocínios e me ajudar a aperfeiçoá-los ou descartá-los.
Por fim quero expressar uma última expectativa minha. De forma geral, espero que esse blog não sirva para nada. Num mundo onde tudo parece servir para alguma coisa, acho que seria curioso dedicar um tempo de nossas vidas a algo que não serve para nada. Acredito que ao nos dedicarmos a algo que não serve para nada, sejamos capazes de perceber que não servir para nada significa fundamentalmente não servir a nada do que está posto. E é através dessas coisas inúteis que espero que consigamos perceber que tudo que serve para alguma coisa serve antes a algo. Creio que é então através das coisas inúteis que podemos perceber ao que serve aquilo que dizemos ser útil.
Desejo a tod@s grandes momentos de inutilidade nesse espaço.
Ivan Sampaio
[1]FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. 23ª edição, Editora Graal. Rio de Janeiro. 2007 – Introdução (Pag. XXI).